terça-feira, 30 de novembro de 2010

SEMANA DA CONCILIAÇÃO


Por indicação do Defensor Público Geral em exercício, Dr. Fernando Morais, participei ontem da abertura da SEMANA NACIONAL DE CONCILIAÇÃO, no 1° Tribunal do Júri de Rio Branco, representando a Defensoria Pública do Estado do Acre.

A solenidade contou com a participação de várias autoridades do Poder Judiciário, do Ministério Público Federal, Estadual, da Justiça Federal, da Justiça do Trabalho, da Defensoria Pública da União, da Procuradoria do Estado e do Município de Rio Branco e da Ordem dos Advogados do Brasil.

A tônica dos discursos foi a importância da conciliação. Não fiz uso da palavra no evento. Entretanto, preparei-me para tal.

Eu, já no cargo de Defensor Público há mais de 12 (doze) anos, aprendi a importância da conciliação. Nessa questão sigo três normas.

A primeira é a regra divina. Diz Jesus no maior discurso do mundo: “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus (Mateus, 5, 9)”.

A segunda é a regra consuetudinária: “Mais vale um mau acordo do que uma boa demanda”.

E por fim, a terceira que é a norma jurídica insculpida na Lei Orgânica da Defensoria Pública, que manda, antes mesmo de ingressarmos em juízo, tentarmos a conciliação.

E dou meu testemunho pessoal. Nas vezes em que tive que enfrentar um adversário em juízo, sempre  anelei em com ele me encontrar e reconciliar.

Nesse aspecto sigo a máxima paulina. Os inconciliáveis não entrarão no Reino de Deus.

Portanto, parabéns a Defensoria Pública por se comprometer com esse projeto que muito contribuirá para a pacificação social do Estado do Acre.



 

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

SOBRE A QUESTÃO DA SEGURANÇA PÚBLICA

A Defensoria Pública e  a Transição do Governo do Acre
Valdir Perazzo é Defensor Público


Tânia Bacelar de Araujo é especialista em desenvolvimento regional, economista, socióloga e professora do Departamento de Economia da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).
Antes do Segundo Turno das Eleições para Presidência da República, escreveu um primoroso artigo em que, fundamentada em dados econômicos e sociais do Governo Lula, explica a votação expressiva que Dilma Rousseff obteve na Região Nordeste.
Em que pese em seu artigo fazer comparações de dados sociais e econômicos do Brasil como um todo relativamente à Região Nordeste, as informações aí contidas – seu artigo – são válidas para o Estado do Acre, uma vez que o Estado se encontra no contexto nacional.  
Pois bem. A professora Tânia Bacelar constata que o Nordeste liderou o crescimento do emprego formal no país com 5,9% de crescimento ao ano entre 2003 e 2009, taxa superior a de 5,4% registrada para o Brasil como um todo. Mesmo sendo a taxa de crescimento do Nordeste superior à brasileira no período, não significa que o crescimento do emprego formal no período para o país tenha sido desprezível. Pelo contrário. Foi significativo o percentual de 5,4%, conforme dados da RAIS.  
A economista chama a atenção, como marca importante do Governo Lula, a retomada gradual de políticas nacionais. Muitas dessas políticas tiveram como norte o combate às desigualdades sociais e regionais do Brasil.                                              Os dois Governos de Lula optaram pela integração nacional ao fundar a estratégia de crescimento na produção e consumo de massa.
Segundo a docente da UFPE, quebrou-se o mito de que a agricultura familiar era inviável. O PRONAF mais que sextuplicou seus investimentos entre 2002 e 2010 e outros programas e instrumentos de política foram criados ( seguro, safra , Programa de Compra de Alimentos, estimulo a compras locais pela Merenda Escolar, entre outros). O recente Censo Agropecuário mostrou que a agropecuária de base familiar gera 3 em cada 4 empregos rurais do país e responde por quase 40% do valor da produção agrícola nacional.
O Estado do Acre tira partido dessa situação favorável da economia nacional relativamente aos dois Governos do Presidente Lula. A Economia – tanto no plano nacional como estadual -, não é a prioridade. A prioridade é a Segurança Pública. Assiste razão ao Governador Tião Viana.
Não assisti a entrevista do Governador eleito à TV Aldeia. No Jornal a Gazeta li trechos da auspiciosa entrevista. Destaco o que o Governador eleito falou sobre segurança: “Eu afirmo com a mais absoluta certeza que o Acre já avançou muito nesse setor. Lembramos aqui das delegacias deterioradas, os PMs que não tinham farda, armamento ou viaturas. E hoje existe uma condição de trabalho. O Acre paga um salário melhor por soldados militares do que São Paulo ou Rio Grande do Sul. Um Estado pobre como o nosso fazer isso é um grande avanço. Mas ainda existe uma sensação de insegurança. Precisamos valorizar essa resposta nas áreas de inteligência, aumento da presença da polícia nas comunidades, com um programa estratégico de polícia nos bairros. Temos um grave problema de narcotráfico por estarmos em um grande corredor de passagem na fronteira. Em 2008 passaram 250 pessoas na área de imigração. Em 2009 foram 30 mil. Temos que radicalizar no combate ao tráfico de drogas”.
A Segurança Pública, diz a Constituição Federal, é um dever do Estado, e direito e responsabilidade de todos. Não se pode pensar em cidadania enquanto formos uma sociedade violenta, como é, atualmente, a sociedade brasileira. Nas duas dezenas de anos que transcorreram entre o início dos anos oitenta e os primeiros anos do século XXI, a taxa de homicídios no país  quase triplicou. 48 mil mortes por homicídio acontecem anualmente, figurando o Brasil entre um dos países mais violentos do mundo. É a conclusão que chega o Governo Federal, no texto-base do Ministério da Justiça, para a 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública.    
Em que pese a situação preocupante da violência e da criminalidade, de um modo geral, que ocorrem no país, a resposta a esse fenômeno, diz o texto, vem sendo pautadas por uma postura meramente reativa. Em que consiste a postura reativa do Estado? Só depois de o fato criminoso ocorrer e tiver repercutido na sociedade,  é que o Estado toma providências, muitas vezes sem lastro gerencial ou técnico.  Age o Estado pelo senso comum, pelo medo e pela sensação de insegurança, o que faz de forma irracional, sem produção qualificada de provas e garantia dos direitos fundamentais.
É inquestionável o sucesso do Governo do Estado do Acre no que diz respeito a vários indicadores de progresso. A reforma urbanística de Rio Branco é algo que a todos causa orgulho. Registramos melhorias na educação, na saúde, no esporte, no lazer, na cultura e na economia.  Funcionários públicos recebem seus vencimentos em dia. Entretanto, a atual situação do sistema penitenciário causa preocupação. A população carcerária do Estado do Acre está muito acima da capacidade de gerenciamento da administração penitenciária,, em desproporção com outros Estados da Federação. O CNJ em seu relatório de junho a julho de 2010,  constatou que o Acre tem o maior número de presos por habitante do país. Pelo aludido instrumento verificou-se que o percentual de presos provisórios em relação a condenados em regime fechado é alarmante: 71,22%.
Pois bem. A Segurança Pública como prioridade não pode deixar de contemplar a Defensoria Pública. Na ordem democrática em que vivemos  não se pode pensar em reprimir a criminalidade,  sem se pensar também na garantia jurídica dos que serão reprimidos. As agências de  repressão escolhem seletivamente seus alvos; diz a boa doutrina penal.   É preciso reprimir com qualidade e com os olhos postos nos direitos e garantias individuais, sob pena de agravarmos ainda mais o já esgarçado sistema penitenciário do Acre, em que somos campeões de prisões, mas, sem que isto, signifique maior segurança para a comunidade. Deve-se garantir todos os direitos constitucionais aos que serão objeto da repressão penal e para isso torna-se imprescindível a Defensoria Pública na defesa dos hipossuificientes.
A Defensoria Pública tem posição simétrica a do Ministério Público. O Defensor Público é o advogado público  que defende. O promotor é o advogado público que acusa. No contexto da Segurança Pública o Ministério Público tem relevante papel: defesa do Estado (sociedade). A Defensoria Pública tem relevante papel: defesa do Estado (cidadão).  Não se compara a estrutura material e humana  do Ministério Público e da Defensoria Pública. A primeira instituição tem todas as condições materiais e humanas; e a segunda com estruturação deficiente. A Defensoria Pública quer participar da transição de Governo e contribuir com idéias para um Acre mais seguro e em paz.

domingo, 28 de novembro de 2010

CARTÃO DE CRÉDITO COMO MEIO DE PAGAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS

Assumimos o compromisso de suscitarmos um profícuo debate sobre o papel da OAB/Acre, como uma instituição prestadora de efetivos serviços à classe dos advogados.
Todos sabem como um advogado de um pequeno escritório sofre para manter o pagamento da secretária, do aluguel, da conta de luz, do telefone, da revista especializada, dos livros, enfim, dos custos de sua atividade.
Em recente visita que fizemos ao escritório de um jovem advogado de Rio Branco, este apresentou a proposta do recebimento de honorários advocatícios por meio de cartão de crédito. A idéia pareceu bastante instigante e de uma utilidade prática muito grande para quem vive da difícil arte da advocacia.
Dispus-me a fazer uma pesquisa sobre o tema. Assiste razão ao advogado. O assunto já é debatido há mais de uma década no Brasil. Trago à colação a matéria de Geysa Martins sobre à questão:
“Cartão de crédito é mero meio de pagamento e deve ser utilizado para cobrança de honorários advocatícios. Esse é o entendimento da Turma 1 de Ética Deontológica do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB de São Paulo. A entidade aprovou o método de pagamento para escritórios de advocacia na sessão de quinta-feira (17/6). Estiveram presentes 20 conselheiros. A aprovação foi por maioria de votos e já está valendo.
O Tribunal de Ética da OAB-SP recebeu três pedidos de consulta sobre o assunto desde o final de 2009. Duas foram relatadas pelo advogado Gilberto Giusti e outra por Fábio Kalil Vilela Leite. A matéria não está regulamentada pelo Estatuto da Advocacia, Código de Ética e Disciplina ou provimentos e regulamentos da OAB. A tese vencedora na análise do caso foi a de Giusti. “Foi uma vitória que muda a postura do Tribunal de Ética. Na prática, vai ter mudança para os escritórios, principalmente aos pequenos e médios. É uma facilidade e uma comodidade a mais”, disse ele à revista Consultor Jurídico”.
Lutaremos para que a OAB Seccional do Acre, no escopo de melhorar os serviços dos advogados, aprove por seu Conselho a validade da cobrança de honorários através desse prático e atual meio de pagamento.
É o nosso compromisso!

sábado, 27 de novembro de 2010

FISCALIZANDO À JUSTIÇA

Os advogados não podem prescindir de um judiciário eficiente, que faça a prestação jurisdicional com rapidez.
Além de não atender seu cliente - de quem depende financeiramente - o sucesso da causa é também o sucesso da sua profissão e de sua própria dignidade.
Uma das missões da Ordem dos Advogados é lutar pela boa aplicação da lei. Como integrante da Autarquia o advogado tem o dever de pugnar  para que os jurisdicionados vejam a lei devidamente aplicada.
O Defensor Público é também um advogado. Só que  um advogado público. Está também comprometido com a boa aplicação da lei.
Os advogados, convivendo diariamente com os juizes, têm dificuldades de representarem aqueles que não têm compromisso com a produtividade, a pontualidade e  a acessibilidade.
Portanto, advogamos a tese de que a OAB Acre, visando o aumento da eficiência do Judiciário e respeito às prerrogativas do advogado, deve instituir um serviço de monitoramento mensal da atuação dos magistrados, representando-os na Corregedoria e no CNJ  quando, no exercício dos seus ofícios, cometerem infrações ou abusos de autoridade.
É a OAB que deve fazer as devidas representações.
Não o profissional sozinho e mais vulnerável às  pressões.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

SENADOR ELEITO SÉRGIO PETECÃO VISITA DEFENSORIA PÚBLICA


 Senador eleito com o Defensor Público geral do Acre, Dr. Dion Nobrega Leal
O Deputado Federal Sérgio Petecão (PMN/AC), eleito Senador no pleito próximo passado, pelo mesmo partido, esteve no dia de hoje, 26 de novembro, por volta do meio dia, visitando a sede da Defensoria Pública do Estado.
O deputado foi recebido pelo Defensor Público Geral, Dr. Dion Nóbrega Leal, Sub-Defensor Público, Dr. Fernando Morais, Corregedor Geral, Dr. José Cláudio dos Santos, Coordenador do Núcleo Criminal, Dr. Gilberto Jorge Ferreira, Ouvidora Antônia Maria Silva de Oliveira, os Defensores Públicos do Segundo Grau, Tribunais Superiores e Supremo Tribunal Federal - STF, Drs. Valdir Perazzo Leite e José Carlos Rodrigues dos Santos, demais Defensores Públicos e funcionários.
O assessor especial da Defensoria Pública Geral, bacharel em Direito Gilliard Silva de Souza, enquanto durou a visita esteve presente, assessorando os Defensores Públicos e registrando a memória iconográfica do evento.
O Dr. Dion Nóbrega Leal, fazendo uso da palavra em nome da instituição, bem como dos seus colegas Defensores Públicos, agradeceu, em nome de todos, inclusive dos funcionários e estagiários, a ilustre visita do parlamentar. Registrou que sua recente ida ao Distrito Federal, onde interagiu com a Bancada do Acre, para efeito de destinação de emendas parlamentares para a estruturação da Defensoria Pública, teve no Gabinete do deputado federal Petecão suporte de apoio.
Franqueada a palavra pelo Defensor Públicos Geral, Dr. Valdir Perazzo, ex-presidente da Associação dos Defensores Públicos, testemunhou que foi na gestão do deputado Petecão, enquanto presidente da Assembléia Legislativa do Acre, que a Defensoria Pública tornou-se instituição independente da Procuradoria Geral do Estado.
A Defensora Pública Célia Ferreira falou da necessidade da estruturação da Defensoria Pública, afim de que, instrumento como a Ação Civil Pública, possa ser manejada em defesa dos necessitados. O Defensor Público José Carlos Rodrigues dos Santos falou na condição de relator do I Diagnóstico da Defensoria Pública do Estado do Acre, documento que aguarda aprovação e publicação.
Em seu discurso, o Senador eleito Petecão, exortou os Defensores Públicos a terem um órgão de divulgação. Destacou que os pobres, com os quais se identifica, precisam conhecer melhor a instituição. Ressaltou que não é só com ele que os Defensores Públicos devem interagir. Todos os parlamentares do Acre podem e devem contribuir com a estruturação da Defensoria Pública, destinando-lhe emendas parlamentares. Finalmente, concluindo o seu discurso, colocou seu gabinete à disposição da categoria, sem antes fazer elogios à nova administração.

Por Valdir Perazzo Leite
Defensor Público